INPE-EM: Estimativa de emissões dos gases do efeito estufa (GEE) por mudanças de cobertura da terra

O sistema INPE-EM (INPE - Emission Model) é um serviço do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) que visa tornar disponíveis estimativas anuais de emissões de gases do efeito estufa (GEE) por mudanças de cobertura da terra no Brasil de modo espacialmente explícito. A versão atual do sistema disponibiliza estimativas anuais de emissões para a Amazônia Brasileira com base nos dados do Sistema PRODES.

São disponibilizadas estimativas de 1ª Ordem (que supõe de modo simplificado que 100% das emissões ocorram no momento da mudança de uso/cobertura) e de 2ª Ordem (que buscam representar o processo gradativo de liberação e absorção do carbono como ocorre de fato), como sintetiza a Figura abaixo.

As estimativas de emissões de 2ª Ordem apresentam uma resposta atenuada em relação a oscilações da taxa do desmatamento (aumentos e quedas), pois carregam a influência das emissões históricas, isto é, dos processos de decomposição/queima da biomassa remanescente dos desmatamentos ocorridos nos anos anteriores. Logo, a queda de 14% observada pelo PRODES na taxa de desmatamento entre 2013 e 2014 é imediatamente capturada pelas de 1ª Ordem, e se refletirá ao longo dos próximos anos nas estimativas de 2ª Ordem - combinado à futura trajetória (de aumento, queda ou estabilização). As estimativas de 2ª Ordem representam com maior precisão e embasamento cientifico para estudos relativos ao ciclo de carbono. As estimativas de 1ª Ordem são normalmente utilizadas para reportar emissões de modo mais simples e intuitivo.

Quanto às estimativas de emissões líquidas, que combinam as emissões de 2ª Ordem derivadas do processo de corte raso da floresta primária à dinâmica de crescimento/corte da vegetação secundária, os resultados indicam um aumento da influência do crescimento da vegetação secundária no balanço de carbono, decorrente da diminuição da área de floresta primária desmatada e manutenção da área de vegetação secundária (em torno de 21%, de acordo com o sistema TerraClass).

Além das estimativas anuais de CO2, apresentamos estimativas de emissões de CH4, N2O, CO e NOx. Além das informações agregadas por ano, estamos disponibilizando também os resultados de modo desagregado espacialmente. As tabelas e mapas estão disponíveis para Download, em formato excel e shapefile. A versão atual do código fonte do modelo (para estimativas de emissões brutas) também está sendo disponibilizado sob licença GPL. Por favor, citar Aguiar et al. (2012) em caso de utilização de todo o arcabouço em ambiente TerraME, ou se você extrair parte do código e adaptá-lo para em outro ambiente de modelagem/linguagem. E nos informe (inpe-em.ccst@inpe.br)! Nós ficaremos felizes em ouvir como você está utilizando o código!

Para compatibilidade com estimativas oficiais de emissões do Governo Brasileiro, o sistema passará a utilizar como base os dados de biomassa utilizados pelas Comunicações Nacionais para a UNFCC, assim como para fins de estimativas de redução de emissões (REDD+). Por fim, a versão atual do sistema INPE-EM apresenta separadamente emissões brutas e líquidas: (a) emissões brutas por desmatamento corte-raso com base nos dados do Sistema PRODES. (b) estimativas de emissões líquidas considerando dinâmica da vegetação secundária nas áreas desmatadas, com base em dados do Sistema TerraCLASS e da literatura recente (Almeida, 2009). Futuramente serão incluídas estimativas para outros biomas e processos, em especial por Degradação Florestal, com base no Sistema DEGRAD do INPE.